O novo salário mínimo, no valor de R$ 622,00, anunciado pelo
governo federal é um daqueles exemplos que demonstram de maneira inequívoca a
diferença entre os oito anos de governo neoliberal, comandado pelos tucanos e
democratas e os nove anos de um governo democrático popular, capitaneado pelo
PT.
Na segunda metade da década de 90 e nos dois primeiros anos do
século XXI, nós trabalhadores vivíamos um período de grandes dificuldades. O
desemprego era altíssimo, empresas nacionais falindo, estatais vendidas por
preços abaixo do mercado, o BNDES a serviço das privatizações e das
multinacionais… Diversos setores da economia quase desaparecerem devido a
irresponsável política de “abertura total”, que incentivava a importação
predatória, sem nenhuma espécie de proteção à indústria nacional. O Estado,
comandando pelos neoliberais, não cumpria seu papel de indutor do
desenvolvimento e servia apenas para privatizar a riqueza e socializar os
prejuízos. Para tentar controlar a massa de miseráveis que sua política
produzia, o governo demo/tucano utilizava de algumas medidas compensatórias e
esmerava-se na repressão aos movimentos organizados. Nossas lutas, organizações
e dirigentes eram criminalizados e o governo cumpria a risca as determinações
do “Consenso de Washington”, que preconizava o Estado mínimo e que todas as
demandas da sociedade seriam resolvidas pelo mercado.
Acuado, resistindo como podia, o movimento sindical tinha como uma
de suas principais pautas, a elevação do salário mínimo para cem dólares.
Parlamentares petistas, oriundos do movimento sindical, tentavam a todo custo
dar respaldo legal à esta reivindicação, lutando dentro de um Congresso com
maioria de representantes do capital e dos setores mais conservadores da
sociedade.
Cansado daquele modelo, o povo brasileiro resolveu dar um basta e,
em 2003, elegeu o primeiro presidente operário da nossa história, dando início
a uma profunda mudança na política econômica. As privatizações foram suspensas,
se começou investir na indústria nacional, multiplicaram-se os valores
destinados para agricultura familiar, os juros baixaram e o crédito deixou de
ser o privilégio de poucos, a produção foi retomada com vigor, os programas
sociais incluíram no mercado consumidor uma população do tamanho da Argentina.
Foi acordada uma política de recuperação e reajuste do salário mínimo,
amplamente negociada com todas centrais sindicais.
Os mesmos burocratas que assessoravam os tucanos ocuparam espaço
na grande mídia - sua mais fiel aliada - com os mesmos velhos argumentos de que
o aumento causaria inflação, descontrole das contas públicas, insolvência de
prefeituras e governos estaduais. Editorialistas, articulistas “cientistas
sociais”, encheram páginas de jornais para nos convencer do erro que seria o
aumento do mínimo.
A política de reajuste, baseada na inflação e no crescimento do PIB,
fez com que nesse ano o aumento fosse de 14%, elevando o salário mínimo a
332,62 dólares, mais de três vezes o valor que reivindicávamos durante o
governo demo/tucano. Este novo salário mínimo, segundo o DIEESE, vai injetar 47
bilhões na economia, beneficiando diretamente 48 milhões de pessoas,
principalmente famílias da classe C, proporcionando um aquecimento extra do
mercado, que vai redundar em mais produção, mais comércio, portanto mais
empregos.
Defendamos uma baixa dos juros mais rápida do que o ritmo adotado
pelo governo e maior proteção a determinados segmentos da indústria, de maneira
a evitar a competição predatória. Contudo, consideramos que a presidenta Dilma
está no caminho certo ao manter a política de valorização do salário mínimo,
persistir no investimento social, acreditar no mercado interno, não cair no
canto da sereia de “contenção de gastos”, defendida por todas as viúvas de FHC
na mídia. É graças a essa política que vivemos extraordinário processo de
inclusão social e que nosso país está passando incólume à crise econômica
internacional, que a dois anos devasta a economia européia.
A recuperação do salário mínimo, portanto, é uma das razões para
que o Brasil tenha se tornado a sexta maior economia do planeta por que, ao
contrário do que pregam os neoliberais, optou por enfrentar a crise com
produção, fortalecimento do Estado na economia, distribuição de renda, justiça
social.